sábado, 5 de dezembro de 2009

DA POESIA

Este ano resolvi encarar a grande obra de PROUST: Em Busca Do Tempo Perdido. Ainda não concluí a viagem, mas o trajeto é fascinante. Onírico, às vezes; prolixo, adiante. Íntimo sempre. Trata-se de um menu degustação. Não cabe pressa, ansiedade, tampouco distração, sob pena de não se conseguir, sequer, chegar ao final do parágrafo, dobrar a esquina e seguir a tropa. A leitura com um correr de olhos, por exemplo, pode ser maçante porquê incompreensível. Ou aparentemente acéfala. Registrarei aqui algumas passagens que me agradaram em especial. Começo pela sublime revelação de sua memória afetiva, ligada à infância, degustando o chá e as madeleines servidos por sua tia Leonie: um clássico literário.

'E, como nesse divertimento japonês de mergulhar numa bacia de porcelana cheia d´água pedacinhos de papel até então indistintos e que, depois de molhados, se estiram, se delineiam, se colorem, se diferenciam, tornam-se flores, casas, personagens consistentes e reconhecíveis, assim agora todas as flores de nosso jardim e as do parque do Sr Swann, e as ninféias do Vivonne, e a boa gente da aldeia e suas pequenas moradias e a igreja e toda a Combray e seus arredores, tudo isso que toma forma e solidez, saiu, cidade e jardins, de minha taça de chá'.

Abraços.

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