sábado, 5 de dezembro de 2009

DA POESIA II

Garoa e friozinho em São Paulo. Matiz de cinza. Mexendo em meus 'alfarrábios' encontrei este poema do Rilke e resolvi trazê-lo até aqui.

A hora inclina-se e toca em mim

com claro bater metálico.

Os sentidos me tremem. Sinto: eu posso!

E colho o dia plástico.

Nada estava acabado antes de eu ver,

todo o devir aguardando em quietude.

Maduros meus olhares; a cada um,

como uma noiva, chega a coisa ansiada.

Nada é pequeno para mim: gosto de tudo

e tudo eu pinto sobre ouro com grandeza

e bem alto o levanto - sem saber de quem

vai a vida libertar.



Escrevendo aqui, este me remeteu Fernando Pessoa em:

' Para ser grande, sê inteiro.

Nada teu exagera ou exclui

Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és, no mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda brilha

Porque alta vive'

Até logo mais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ambos lindos. Não conhecia este Rilke. Adorei...."sem saber de quem vai a vida libertar".