De minha coletânea 'O Rio Que Corre Estrelas':
Minha mãe vai me dar um beijo
E é necessário que tudo se cale,
Tudo se acalme e encontre o seu curso natural porque minha mãe vai me dar um beijo.
Vou me vestir de marinheiro,
Botar um smooking ou rasgar o jeans, furar a orelha, tatuar a nuca,
Porque é necessário personalizar este momento.
Meu rosto está aqui, minha boca, aqui.
Lá vem minha mãe estendendo-me os braços
E eu não sei quem é que me arranca destes braços
E que, mantendo o xote que toca na vitrola, me dá um beijo descontraído na face rubra
E me puxa com entusiasmo para o meio do salão.
Estreito no peito este vulto imprevisto.
Nossa sombra dança nas paredes e no telhado,
Multiplicada em mil figuras rabiscadas pelo vento que assopra a lamparina,
E nossas pernas se tornam traços de giz no chão batido.
domingo, 27 de dezembro de 2009
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Um comentário:
Que bonito! Poeta.
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